quarta-feira, 12 de julho de 2017

Jornalista Zózimo Tavares lamenta agressão física contra um profissional de imprensa em plena democracia

Comentário do jornalista, escritor e radialista Zózimo Tavares, na rádio Cidade Verde 105,3, na terça-feira (11)

Jornalista Zózimo Tavares (camisa azul)

"Em 1980, eu fazia um jornalzinho mimeografado em Água Branca, a minha cidade. Era uma publicação do grupo de jovens, com uma tiragem modesta.

Mas o prefeito entendeu que o jornalzinho estava passando das medidas, fustigando a sua administração. E baixou um decreto determinando o fechamento do nosso jornal. E logo começaram as hostilidades contra mim e outros que faziam o jornalzinho.

Eu ainda era adolescente e estudante. Cursava edificações na Escola Técnica Federal do Piauí, hoje IFPI.

Aqui em Teresina, levamos o caso ao conhecimento do secretário de Segurança, através do Clube do Repórter do Piauí, à época presidido pelo jornalista Francisco Leal.

O Dr. Macário Oliveira, que na ocasião respondia pela Secretaria de Segurança, expediu imediatamente um ofício para o delegado de polícia de Água Branca, determinando que nos desse proteção e garantisse a circulação de nosso jornalzinho.

Muito bem! Lembro esse episódio a propósito de outro, que aconteceu na tarde de sábado.

O jornalista Ademar Sousa, o Ademarzinho, atuava como locutor na inauguração do calçamento do Povoado Invejada dos Cardosos, na zona rural de Alto Longá.

Estavam presentes os secretários de Segurança Pública, Fábio Abreu (deputado federal licenciado) e das Cidades, Fábio Xavier (deputado estadual licenciado).

De repente, um quiprocó. O jornalista foi agredido fisicamente a socos pelo ex-prefeito Flávio do Teté, na companhia do vice-prefeito Maciel Sindô, do vereador Cícero Branco e do ex-vereador Assis Sindô, dentre outros.

Por pouco, o jornalista não foi linchado. Eram quase 10 homens contra ele, inclusive um policial civil.

Que relação tem o episódio que contei no início, registrado há 37 anos, em Água Branca, com este ocorrido em Alto Longá?

É a seguinte: diante de uma ameaça contra um jovem que nem profissional era ainda, naquela época, o secretário de Segurança de então enquadrou a polícia e determinou que ela desse proteção à circulação do jornalzinho e aos seus redatores.

Agora, um jornalista profissional apanha na frente do secretário de Segurança e fica por isso mesmo.

Naquele tempo, ainda estávamos em plena ditadura. Agora vivemos em plena democracia!"


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